Olhamos — seções, uma a uma, com os arquivos oficiais do TSE. Treze perguntas têm resposta, um índice aponta onde conferir documentos e um ponto continua aberto.
Dados: votação por seção, detalhe por seção e boletins de urna do 2º turno (TSE, versões de 26/10/2026). Os logs das urnas vêm do dossiê do Arvor; o comparecimento de 2022, do Atlas do alanicolas. Seção comparável: 50 eleitores ou mais e cadastro que mudou menos de 5% entre os turnos.
Seções que fecharam tarde, que liberaram muita gente sem a digital ou que usam urna antiga não estão espalhadas por igual pelo país: as que fecharam tarde, por exemplo, ficam quase todas nas capitais de RJ, SP, BA e PE. Comparar esses grupos com o Brasil inteiro misturaria o que queremos medir com o efeito de ser capital ou de ser Nordeste. Por isso cada seção é comparada com as outras seções da própria cidade.
"Comparado ao mesmo prédio", nos modelos de urna, é a mesma conta trocando o município pelo prédio de votação, só nos prédios com urnas de mais de um modelo. Seções de municípios em que todas as seções estão no mesmo grupo não têm com quem ser comparadas e saem da conta; ao passar o ponteiro, cada gráfico diz quantas foram comparadas.
A abstenção caiu de — para —. Em — de cada 100 seções, caiu até 5 pontos. As quedas grandes são raras e se concentram em aldeias indígenas (Guarani Kaiowá no MS, Kayapó e Xikrin no PA, Maxakali em MG), e nelas Lula cresceu menos do que no resto do país.
Fonte: TSE, detalhe da votação por seção, 1º e 2º turnos de 2026.
Cada linha é um grupo de seções; vai do voto em Lula no 1º turno ao do 2º, contando só Lula e Flávio. O número à direita é quanto Lula ganhou em pontos.
Assim seria suspeito: a faixa onde a abstenção despencou subindo muito mais que as outras. Ela subiu menos: — contra — pontos.
Cada voto a mais tem origem conhecida: gente que não tinha votado no 1º turno, gente que votou em outro candidato e gente que tinha votado em branco ou nulo. Lula ficou com a maior parte porque essas seções já eram dele: — no 1º turno.
Fonte: TSE, votação e detalhe por seção, 1º e 2º turnos de 2026.
Seções em que a abstenção caiu 15 pontos ou mais contra seções em que subiu 15 pontos ou mais.
Escala comprimida (logarítmica) para mostrar as pontas; sem ela, as faixas raras sumiriam. À direita a abstenção caiu, à esquerda subiu; as pontas agrupam ±20 ou mais. Ao passar o ponteiro, Lula nos dois turnos conta só Lula e Flávio.
Quase todas são escolas indígenas. Candidatas a conferência do caderno de votação. A lista completa, com 500 seções, está no arquivo 1b_quedas_acima_do_municipio.csv.
| # | UF | Município | Zona | Seção | Local | Aptos | Abst. 1º | Abst. 2º | Queda | Resto do município | Excesso | Lula 2º | Sem digital | Encerrou |
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São — seções, 1 em cada —, quase todas no Maranhão, na Bahia, no Piauí, em Pernambuco e no Ceará. Nelas a abstenção caiu — ponto; no Brasil, —. Seções unânimes são comunidades pequenas onde quase ninguém falta, para qualquer lado: Flávio também tem as dele (— seções com 90% ou mais).
Do 1º para o 2º turno, percentual dos eleitores que não votaram.
Assim seria suspeito: a abstenção despencando só onde Lula é unânime. Ela caiu menos que no resto do país.
Fonte: TSE, detalhe da votação por seção, 2026.
Número de seções por estado e quantas seções do estado isso representa.
Em cada faixa de abstenção, quantas seções em cada 1.000 deram 90% ou mais a um candidato. A faixa marcada é a mais comum no Brasil. Os dois crescem onde quase ninguém falta.
Cada célula conta seções com 50 eleitores ou mais, de 2 em 2 pontos de comparecimento e de 5 em 5 pontos de Lula. Quanto mais escura, mais seções. O retângulo tracejado é o canto onde o enchimento de urna faria uma mancha (quase todos votaram e quase todos em Lula). Está vazio.
— de cada 100 urnas fecharam até 17:05; — até 17:15. Lula venceu também nas que fecharam na hora: — dos votos entre os dois, contra — no 1º turno. As urnas que fecharam tarde ficam nas capitais de RJ, SP, BA e PE e já votavam mais em Lula, mas mudaram entre os turnos o mesmo que as vizinhas. Em nenhuma faixa de horário a diferença passou de um voto por urna.
Percentual das urnas já fechadas a cada minuto, no horário de Brasília (convertido do relógio da urna pela abertura do município). A faixa cinza é o período em que o TSE não publicou nenhum arquivo.
Assim seria suspeito: muitas urnas abertas horas depois do fim da votação. Quase todas fecharam nos primeiros minutos.
Fonte: TSE, boletins de urna do 2º turno de 2026.
Cada linha é um grupo de urnas; o número à direita é quanto Lula ganhou em pontos. A linha tracejada é a metade: acima dela, Lula venceu.
Quanto o ganho de Lula em cada grupo difere do ganho nas outras seções do mesmo município. A faixa cinza é a régua de um voto por urna; a barrinha, a margem de erro. Como é feita essa conta?
Assim seria suspeito: as urnas atrasadas andando mais para Lula que o resto da cidade. Todas ficam dentro de um voto.
Dossiê do Arvor, que leu o log de cada urna do 2º turno.
Percentuais de Lula e Flávio contam só os dois. "Comparado ao resto do município" e margem de erro de 95% em pontos. "Sem outras seções": seções de municípios em que todas fecharam na mesma faixa, que ficam fora da comparação.
| Encerramento | Seções | Lula 1º | Lula 2º | Variação Lula | Flávio 1º | Flávio 2º | Votos Lula 1º | Votos Lula 2º | Votos Flávio 1º | Votos Flávio 2º | Comparado ao resto do município | ± margem | Sem outras seções | Sem digital |
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Quando a leitora não reconhece a digital, o mesário pode liberar o eleitor pelos documentos. Isso aconteceu com — em cada 100 eleitores, — pessoas. Nas seções que mais liberaram, Lula cresceu menos que no resto do município, não mais.
Fonte: TSE, boletins de urna do 2º turno de 2026, campo de eleitores habilitados sem biometria.
Seções agrupadas pela parcela de eleitores liberados sem a digital. Quanto o ganho de Lula difere do resto do município, com a régua de um voto por urna. Como é feita essa conta?
Assim seria suspeito: quanto mais liberação, mais ganho para um lado. O desenho real desce.
| Sem digital | Seções | Lula 1º | Lula 2º | Variação Lula | Comparado ao resto do município | ± margem |
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Em 2026 funcionaram quatro modelos: 2013, 2015, 2020 e 2022. O teste mais duro é comparar urnas de modelos diferentes dentro do mesmo prédio, com o mesmo eleitorado: ali as diferenças no ganho de Lula ficam em até um décimo de ponto, menos de um voto por urna. A única diferença real está na leitora de digital: os modelos de 2013 e 2015 liberam mais gente sem biometria, e isso não virou voto para ninguém.
Ponto cheio: comparado a urnas de outro modelo no mesmo prédio. Ponto vazado: comparado ao resto do município. Como é feita essa conta?
Assim seria suspeito: um modelo andando para um lado dentro do mesmo prédio. As urnas de 2022 ficam abaixo do resto do município porque foram para bairros diferentes; dentro do mesmo prédio, votaram igual.
Diferença de leitora, não de voto: os modelos antigos liberam mais, também dentro do mesmo município.
Fonte: TSE, detalhe por seção (modelo da urna) e boletins de urna do 2º turno de 2026.
—, — (—), zona —, seção —, urna modelo —. No resto do município, — dos eleitores foram liberados sem a digital. O padrão é de leitora com defeito; a ata da seção deve registrar a ocorrência. Lula teve — ali, com variação de — pontos desde o 1º turno.
| Modelo | Seções | Lula 1º | Lula 2º | Variação | Resto do município | ± margem | Mesmo prédio | ± margem | Seções comparadas no prédio | Sem digital | Sem digital, comparado ao resto do município |
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As 40 com maior excesso, entre seções com 50 votantes ou mais. A lista completa, com 500 urnas, está no arquivo 5_urnas_antigas_sem_biometria.csv.
| # | UF | Município | Zona | Seção | Local | Modelo | Votantes | Sem digital | % | Resto do município | Lula 2º | Variação | Encerrou (hora local) |
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Rodamos mais seis testes que peritos usam para achar fraude, sem baixar nenhum dado novo. Quase tudo ficou dentro do esperado. Dois resultados precisavam da comparação com o 2º turno de 2022 para dizer se são normais de uma eleição: a mudança no padrão de algumas capitais e as seções que destoam das vizinhas do mesmo prédio. A seção 9 faz essa comparação.
Dentro de cada cidade, medimos se as seções com mais comparecimento votavam mais em Lula (número positivo) ou em Flávio (negativo), no 1º e no 2º turno. Inserção de votos faria esse número saltar para um lado. As 8 cidades com maior mudança:
Em — de — cidades com 20 seções ou mais a mudança passou do que o acaso explicaria (o acaso daria cerca de —): — na direção de Lula e — na de Flávio. São quase todas capitais enormes, onde mudanças pequenas ficam "fortes" na estatística. Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas são as cidades do pedido de prorrogação por retenção de ônibus: transporte e mobilização mudam quem comparece em cada bairro, sem fraude.
Assim seria suspeito: dezenas de cidades pequenas saltando para o mesmo lado. Foram poucas, grandes, e nos dois sentidos.
Comparamos a mudança de cada seção com a das outras seções da mesma escola. Quanto maior o limiar, mais estranha a seção. Contamos para que lado cada uma destoou.
— das — seções destoam muito: — para Lula, — para Flávio. As que destoaram para Lula tinham Lula abaixo das vizinhas no 1º turno (— contra —), e as de Flávio, acima (— contra —). É o padrão de seções voltando para perto das vizinhas, não de votos inseridos. Se a diferença entre os dois lados é normal, saberemos comparando com 2022.
Assim seria suspeito: seções que já estavam com as vizinhas disparando para um lado. Elas estavam longe e se aproximaram.
Também listamos para conferência: — boletins que não saíram da urna (recuperados ou digitados na junta), — seções não instaladas, — com o número de eleitores mudando mais de 5% entre os turnos e — em que Flávio foi a zero (uma aldeia no AM e um povoado no MA).
Ganho de Lula comparado ao resto do município, por tamanho da seção (eleitores aptos). Como é feita essa conta?
As diferenças ficam perto de um voto por urna e seguem o tamanho: seções pequenas são de zona rural e bairros com perfil diferente dentro da mesma cidade.
Fonte: TSE, arquivos por seção do 1º e 2º turnos de 2026. Lista das seções que destoam do prédio em etapa1_D2_secoes_vs_irmas.csv.
Com um arquivo público do Arvor, que traz cada seção nos dois turnos com o modo como cada eleitor foi liberado, a urna usada, a hora de chegada ao TSE e os alertas do log, refizemos os testes. Antes, conferimos o arquivo contra o TSE: os votos batem em todas as — seções (— divergências de voto). Em todos os grupos, comparados a seções do mesmo prédio, a diferença ficou em menos de um voto por urna.
Quando a leitora não reconhece a digital, o mesário confirma o eleitor pelo ano de nascimento e libera o voto. É esse o número que o boletim chama de "liberados sem biometria" (os dois batem em —% das seções).
Ganho de Lula comparado a seções do mesmo prédio (ponto cheio) e ao resto do município (vazado), por quanto a liberação mudou do 1º para o 2º turno.
Assim seria suspeito: onde a liberação sem digital disparou, um candidato ganhando bem mais que as vizinhas. Ninguém ganhou.
Seções cuja urna mudou entre os turnos, que usaram urna reserva ou que mudaram de prédio, comparadas a seções do mesmo prédio (cheio) e ao resto do município (vazado). Grupos pequenos têm margem larga.
Assim seria suspeito: urnas trocadas puxando para um lado. Ficaram junto das vizinhas.
O Arvor leu o log de cada urna e marcou ocorrências: bateria, reinício, erro técnico, pausa longa, cancelamento de habilitação. Ganho de Lula comparado a seções do mesmo prédio.
O único grupo fora da régua é "muitos eleitores sem digital cadastrada" (+0,4 ponto no mesmo prédio). É um alerta sobre o cadastro, não sobre a urna, e se repete nos dois turnos; quando agrupamos as seções pela parcela de eleitores sem digital cadastrada, o efeito não aparece. A seção 10 testa isso com o perfil do eleitorado: as cidades com menos digital cadastrada são as maiores e mais urbanas, onde Lula cresceu mais em todo o país; descontado esse perfil, a digital cadastrada não explica nada da mudança de voto.
Dentro de cada município, dividimos as seções em cinco grupos pela hora em que o boletim chegou ao TSE. Ganho de Lula comparado a seções do mesmo prédio.
As últimas a chegar mudaram como as vizinhas. A ordem de chegada se repete entre turnos (—% das últimas no 2º turno também foram das últimas no 1º, contra 20% se fosse sorte): é a logística de transmissão de cada lugar.
Assim seria suspeito: as seções que chegaram por último puxando para um lado. Não puxaram.
O Arvor separou — seções que fogem do padrão geral (muito branco e nulo, perfil incomum). Comparadas a seções do mesmo prédio, a mudança de voto delas foi de — ponto, com margem de ± —: atípicas no perfil, normais no voto.
Fonte: Arvor, "secoes_1t_2t_2026.csv.gz" (32 MB, SHA-256 conferido), conferido seção a seção com os arquivos do TSE. Listas em etapa2_D15_salto_ano_nascimento.csv e etapa2_conferencia_divergencias.csv.
Todo teste estatístico encontra "casos estranhos": numa eleição com meio milhão de urnas, sempre há algumas centenas fora da curva. A pergunta certa é se em 2026 apareceram mais do que numa eleição sem suspeita. Rodamos os mesmos testes no 2º turno de 2022, com os arquivos do TSE daquele ano, e comparamos.
Quantos casos cada teste encontrou em cada eleição.
Os números são parecidos, com duas exceções explicadas. Seções com zero branco e nulo dobraram porque brancos e nulos caíram no país inteiro em 2026 (de 4,8% para 3,2% dos votos), e os zeros improváveis continuam poucos. Boletins impressos com atraso saltaram de — para —: quase todos em SP, RJ, BA e PE, com a votação encerrada por volta das 17h e o boletim impresso entre 17h30 e 19h. É o retrato das mesas que esperaram com a urna disponível por causa da prorrogação do STF. Nessas seções Lula ganhou menos que no resto do município.
Das seções que destoam muito das vizinhas do mesmo prédio, quantas destoaram na direção de Lula.
Quando o país anda para um lado, as seções que destoam também pendem para esse lado. Em 2022 pendiam para Bolsonaro; em 2026, para Lula, na mesma medida. É o comportamento normal, não uma marca de 2026.
Assim seria suspeito: muito mais seções destoando em 2026, ou pendendo para um lado bem além da maré. A taxa e o tamanho do desvio são os mesmos de 2022.
Cada ponto é um município com 2.000 votos ou mais: quanto Lula variou entre os turnos em 2022 (horizontal) e em 2026 (vertical). Calculamos a variação esperada para cada um a partir do estado, da força da terceira via no 1º turno e da mudança no comparecimento. Os pontos coloridos fogem muito do esperado.
— de — municípios fugiram muito do esperado: — na direção de Lula e — na de Flávio. São quase todos cidades pequenas, onde um prefeito ou uma liderança local muda o voto de uma eleição para outra; o maior caso é Belo Monte (AL), onde Lula perdeu 8,8 pontos. Nada aponta para um movimento concentrado a favor do vencedor. A lista completa está em etapa3_D3_municipios.csv.
Assim seria suspeito: dezenas de municípios saltando para o mesmo lado, sem explicação local. Os que saltaram foram para os dois lados, e mais para o perdedor.
Fonte: TSE, votação por seção de 2022 (1º e 2º turnos) e boletins de urna do 2º turno de 2022, com os mesmos testes aplicados a 2026. Totais de 2022 conferidos com o resultado oficial.
Cruzamos cada município com o perfil dos seus eleitores (idade, escolaridade, digital cadastrada, do cadastro do TSE) e dados do IBGE (população, urbanização, renda). Lula cresceu em todo tipo de cidade, mais nas grandes, urbanas e de renda mais alta, e menos nas cidades com mais eleitores de pouca escolaridade. É um padrão de mudança de opinião de classe média, o contrário do que se esperaria de votos inseridos em lugares pobres e remotos. Os municípios que fogem do perfil são poucos, menos que em 2022, e pendem mais para Flávio.
Variação de Lula entre os turnos, em pontos. Em 2022 ele caiu em todo tipo de cidade; em 2026 cresceu em todos.
Municípios divididos em cinco grupos iguais, do que tem menos para o que tem mais de cada característica. Linha cheia: quanto Lula cresceu. Linha tracejada: quanto a abstenção caiu.
Onde há mais idosos a abstenção caiu mais (em 2022 também, em menor grau), o que combina com a mobilização de idosos noticiada. Onde há mais eleitores sem o fundamental completo, Lula cresceu menos.
Para cada município calculamos a variação esperada pelo seu perfil, dentro do seu estado. Cada ponto é um município, no lugar dele no mapa; os coloridos fogem muito do esperado.
Assim seria suspeito: uma mancha de municípios vizinhos desviando para o mesmo lado, ou mais desvios que em 2022. Os desvios são poucos, espalhados como em 2022, e pendem mais para o perdedor.
Efeito de cada característica sobre a variação de Lula, comparando municípios do mesmo estado e descontando as demais (efeito padronizado: positivo, Lula cresceu mais onde a característica é maior). O perfil explica —% da variação entre municípios em 2026 e —% em 2022. A variável Bolsa Família ficou de fora: o serviço de dados do MDS não estava acessível; renda, urbanização e escolaridade medem o mesmo perfil.
| Característica | 2022 | 2026 |
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Fonte: TSE, perfil do eleitorado 2026 e votação por seção de 2022 e 2026; IBGE, Censo 2022 (população e situação do domicílio) e PIB dos municípios 2021. Lista em etapa5_A1_municipios_fora_do_perfil.csv.
Com o cadastro de locais de votação do TSE, classificamos cada seção pelo tipo de prédio (escola, aldeia, assentamento, quilombo, presídio, universidade, igreja...), por estar na cidade ou na zona rural e pelo tamanho do prédio, e marcamos a posição de cada prédio no mapa. Os lugares onde se costuma suspeitar de fraude, como aldeias, assentamentos, presídios e a zona rural, foram justamente os que menos se moveram: em 2022 resistiram à onda para Bolsonaro, e em 2026 à onda para Lula.
Quanto a variação de Lula em cada tipo de local difere da do resto do município. Ponto cheio: 2026. Ponto vazado: 2022. A faixa cinza é a régua de um voto por urna.
O desenho se repete invertido de uma eleição para a outra: lugares que mudam pouco ficam "contra a maré" nos dois anos. Nas aldeias a abstenção caiu mais que na cidade, mas Lula cresceu menos que nela.
Assim seria suspeito: aldeias, assentamentos ou presídios andando para o vencedor muito além da cidade. Andaram menos.
Mesma comparação, por localização (zona rural ou a mais de 10 km do centro do município) e pelo número de seções no prédio.
Em cada uma das — cidades com 60 prédios de votação ou mais, medimos se prédios vizinhos desviam juntos do resto da cidade (0 = espalhados, 1 = agrupados). As cidades em que esse agrupamento mais cresceu de 2022 para 2026:
As manchas novas estão quase todas no Rio de Janeiro (Copacabana, Tijuca, Botafogo, Leblon) e em Brasília (Asa Norte e Asa Sul): bairros de renda alta onde Lula cresceu bem menos que no resto da cidade. O Rio é a base eleitoral de Flávio. É geografia política, e a favor do perdedor.
Assim seria suspeito: bairros inteiros saltando para o vencedor. As manchas que surgiram andaram para o perdedor.
Fonte: TSE, eleitorado por local de votação 2026 (tipo, endereço, bairro e coordenadas de cada local), votação por seção de 2022 e 2026. Tipo de local identificado pelo nome do prédio. Lista por cidade em etapa6_B5_cidades.csv.
Juntamos cinco sinais por seção num único índice: o voto destoa das vizinhas, o comparecimento destoa das vizinhas, brancos e nulos muito abaixo da cidade, boletim impresso muito depois do encerramento e liberação sem digital fora do padrão. Cada sinal é medido pela raridade em 2022: um sinal "forte" é algo que só acontecia em 1 de cada 1.000 seções de 2022. O corte do índice é o das 0,1% seções mais estranhas de 2022. Se 2026 tivesse algo a mais, passariam do corte mais seções do que em 2022. Passaram menos.
Percentual das seções com pontuação acima de cada valor, em escala comprimida. A linha tracejada é o corte. Se 2026 tivesse uma "cauda" de seções estranhas a mais, a curva de 2026 ficaria acima da de 2022 à direita.
Número de seções com cada sinal no nível que só acontecia em 1 de cada 1.000 seções de 2022 (cerca de 470 por sinal em 2022, por construção).
Só um sinal cresceu: o boletim impresso muito depois do encerramento, que é a prorrogação do STF (seção 9). Voto e comparecimento ficaram no nível de 2022; brancos e nulos e liberação sem digital ficaram abaixo.
Pela taxa de 2022 e com controle de falsos positivos. Em 2022 foram —; em 2026, —.
| # | Município | Seções | Sinalizadas | Esperado | Voto para Lula | Com explicação provável |
|---|
Cinco são cidades da prorrogação (Salvador, Lauro de Freitas, São Paulo, Recife, Mauá), onde quase todas as seções sinalizadas são boletins retidos até as 19h, com o voto destoando para os dois lados. A exceção é Mangaratiba (RJ): em três seções de Praia Grande e Ibicuí o comparecimento despencou no 2º turno (de 89 para 18 votantes numa delas), os dois candidatos perderam votos e o log registra queda de energia e pausas longas. Merece conferência da ata, mas não favorece ninguém.
Cada urna grava, além do boletim, o registro digital do voto (RDV): a lista de todos os votos digitados, embaralhada para não identificar o eleitor. Baixamos os RDVs de todas as urnas do 2º turno, somamos voto a voto e comparamos com os números do TSE.
O RDV e o boletim saem da mesma urna. A conferência mostra que os dois registros da urna concordam entre si e com o que o TSE publicou; não mostra, sozinha, quem digitou cada voto. Isso continua dependendo do caderno de votação e das atas, a conferir nas seções da lista.
Fonte: RDVs do 2º turno coletados pelo Arvor no portal de resultados do TSE (arquivo rdv_2t_2026.sqlite, SHA-256 conferido), somados por seção e comparados com a votação por seção do TSE.
Em Minas Gerais, Bahia e Pará, os estados com mais seções sem explicação do que o esperado, baixamos o perfil do eleitorado de cada seção (idade, escolaridade, digital cadastrada) e comparamos cada seção com as vizinhas do mesmo prédio.
Os casos mais fortes são seções que concentram idosos. Em Sabará (MG), por exemplo, uma seção tem 66 pontos a mais de eleitores com 60 anos ou mais do que as vizinhas; para quem tem 70 anos ou mais o voto é facultativo, e o comparecimento muda com isso. É a forma como o cartório distribui os eleitores, não um sinal de irregularidade. As seções em que o voto destoa continuam destoando depois de descontar o perfil: ficam na lista para conferência do boletim impresso.
| # | UF | Município | Zona | Seção | Local | Diferença em relação às vizinhas do prédio | Voto destoa para |
|---|
Fonte: TSE, perfil do eleitor por seção 2026 (MG, BA e PA). Lista completa em etapa7_secoes_sem_explicacao_com_perfil.csv.
Lista completa (— seções, com o documento a conferir em cada uma) em indice_secoes_2026.csv; municípios em indice_municipios_2026.csv. Das seções acima do corte, — não têm explicação provável na lista (aldeia, presídio, seção agregada ou pequena, boletim retido, urna antiga, cadastro alterado): — com voto destoando para Lula e — para Flávio. São elas que pedem a ata, o caderno de votação ou o boletim impresso.
| # | UF | Município | Zona | Seção | Local | Pontuação | Sinais fortes | Voto destoa para | Explicação provável |
|---|
Fonte: TSE, arquivos por seção de 2022 e 2026; índice calculado por indice.mjs. Atipicidade estatística pede explicação; não prova irregularidade.
As seções com 95% ou mais de comparecimento quase triplicaram de 2022 para 2026, e esse era o ponto em aberto que mais pedia explicação. Conferimos as duas eleições seção por seção. Também rodamos os testes de dígitos que costumam aparecer nas discussões sobre fraude, com 2022 como comparação.
Quantas vezes mais seções passaram de cada corte de comparecimento em 2026 do que em 2022. Se fosse algo fabricado só no topo, só o corte de 95% saltaria. Subiram todos, e proporcionalmente mais nos cortes mais altos, que é o que acontece quando o comparecimento do país inteiro sobe: as pontas da distribuição crescem mais rápido que o meio.
A maioria está no Ceará, na Bahia e em Pernambuco, onde o comparecimento subiu no estado inteiro, e muitas são seções pequenas, com menos de 100 eleitores, em que poucos votos a mais levam o percentual ao topo.
| Tipo de seção | 2022 | 2026 |
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Assim seria suspeito: seções com comparecimento no teto e voto no vencedor muito acima das vizinhas. Nelas Lula cresceu menos que as vizinhas.
Quando alguém inventa números, tende a repetir alguns finais. Nos votos de verdade, cada final (0 a 9) aparece perto de 10% das vezes. Contagens de 100 votos ou mais, de Lula e de Flávio, em todas as seções.
Os finais 0 e 1 aparecem um pouco mais que o 9 nos dois anos, do mesmo jeito: é efeito de contagens que começam em 100 e ficam quase sempre abaixo de 300. O teste da "lei de Benford" no segundo dígito falha em quase todas as zonas tanto em 2022 quanto em 2026, porque seções de cerca de 300 eleitores não têm a variedade de tamanhos que ele exige; não serve para esta eleição.
Assim seria suspeito: um final repetido muito mais que os outros, só em 2026, ou excesso de percentuais redondos. Os finais são os mesmos de 2022.
Fonte: TSE, votação e detalhe por seção de 2022 e 2026. Listas em etapa8_comparecimento95_2026.csv e etapa8_digitos_zonas_2026.csv.
Cada urna assina o próprio boletim com uma chave guardada num chip dela, e o certificado dessa chave é emitido por uma autoridade certificadora do TSE. Baixamos do portal de resultados do TSE os arquivos de — seções e conferimos as assinaturas com um programa próprio: as — seções que o índice da seção 11 deixou sem explicação e — sorteadas, 60 de cada modelo de urna. Todas conferem.
Seções conferidas por modelo de urna. A parte cheia são as seções do índice; a clara, as sorteadas.
Assim seria suspeito: uma assinatura que não confere, um certificado de fora do TSE ou um boletim diferente do assinado. Nenhum caso.
Para testar o programa, trocamos um único bit da assinatura, do resumo, do boletim e do certificado, numa urna de cada tipo. Em todos os casos a conferência passou a falhar, como deve. Numa seção de Almas (TO) a tabela do TSE indica urna 2022, mas quem assinou foi uma urna 2020: a urna foi trocada entre os turnos, e a assinatura da nova é válida.
| Modelo | Tipo de assinatura | Autoridade | Seções | Conferem |
|---|
Limite: é uma amostra, não o país inteiro. Os certificados das autoridades vieram de duas cópias independentes, iguais byte a byte, porque a página oficial do TSE recusa acesso; a prova de que são autênticos é que validam os certificados das urnas.
Fonte: TSE, portal de resultados, arquivos de urna do 2º turno (aux.json, -vota.vsc, -bu.dat, -rdv.dat), baixados em 30/10/2026. Lista em etapa9_assinaturas_amostra.csv; programa em assinaturas.mjs.
Um ponto não tem resposta nos dados públicos. Não é indício de irregularidade; é uma pergunta que os arquivos não respondem. Os outros dois que estavam aqui foram conferidos: as seções em que quase todo mundo votou, na seção 13, e as assinaturas digitais dos boletins, na seção 14.
Minutos entre 17:07 e 19:01 em que o TSE não publicou nenhum arquivo (dossiê do Arvor).
A pausa começou com quase todas as urnas já fechadas, e os boletins só começaram a chegar perto das 19h. Os boletins e os logs batem entre si; o que não está nos dados é o motivo da espera. É uma pergunta para o TSE.
Atipicidade pede explicação; não prova irregularidade.
/auditoria/dados/, um arquivo JSON por gráfico.Não oficial. Análise do apurabrasil com os arquivos públicos do TSE e os dossiês públicos citados na página. Atipicidade estatística pede explicação; não prova irregularidade. O resultado oficial é o divulgado pelo TSE.